08.27.08
Caça ao líder

Não é fácil chegar ao topo de um campeonato tão disputado como o Campeonato Brasileiro de Futebol. Ainda mais difícil é se manter no topo. Quando se chega a essa opção, torna-se o foco e o principal alvo da maioria das outras equipes. O time é muito mais visado, sua forma de jogar profundamente analisada e seus pontos fracos potencializados.
Os oponentes transformam cada partida em uma final de Copa do Mundo. Se entregam ao máximo, montam táticas exclusivas para o jogo, a torcida se inflama. Algumas vezes até chegam a adotar a postura tática do líder. E é aí que o postulante ao título precisa demonstrar que realmente o merece e que está devidamente preparado para tal.
É o momento da “carta na manga”. Ter um fator surpresa, o “algo mais” para alcançar sua meta. Escondendo seus pontos fracos e mostrando forças de onde não se imaginava. Seja a partir de uma tática nova, uma postura diferente ou o acréscimo de qualidade ao grupo (leia-se: contratações).
O campeonato está disputado como uma corrida de cavalos. Chegará na frente quem estiver melhor preparado e com mais fôlego. Façam suas apostas.
08.26.08
(Anti) Cultura Nacional

O assunto de hoje não trata diretamente de futebol, mas o engloba. O recente fracasso do Brasil nas Olimpíadas chamou a atenção para diversos pontos. Sempre que uma Olimpíada se aproxima, renasce o “Brazilian Dream”. Escolhe-se a dedo meia dúzia de candidatos nacionais ao Ouro, transformando-os em ídolos, e apostando todas as fichas neles. Qualquer resultado diferente disso é fracasso. Mas alguém já parou para analisar a trajetória deles? Os percalços? Quais foram os incentivos, se é que receberam algum?
O Brasil alegou investir nessa Olimpíada cifras jamais alcançada em sua história. Mas o que se viu foram atletas reclamando de falta de apoio, incentivo, más condições de treinamento. Alguns com mais condições, apelam para o exterior, onde encontram ótima infra-estrutura para seus treinamentos. Outros, como por exemplo algumas atletas do futebol feminino, voltam com a incerteza de se vão conseguir um clube para continuar sua profissão.
Aonde foi parar esse investimento? E o mais curioso são as declarações de dirigentes, dizendo que “de agora em diante teremos psicólogos acompanhando a delegação”. Nossa! Só agora chegaram a essa conclusão!? E todo esse investimento, não era o necessário para já ter coberto essa necessidade?
É o velho jeitinho brasileiro de tomar providências apenas depois da tragédia ter ocorrido. Por aqui, remediar parece melhor que prevenir.
08.20.08
Sonho?
Mais uma vez a seleção brasileira decepciona sua torcida e volta para casa sem o Ouro Olímpico. Ouro que é dado como sonho, obsessão, principalmente por parte da CBF. Mas até onde vai esse sonho?
Toda Olimpíada a história se repete: falta de planejamento, escalações mal feitas, pouca (ou nenhuma) preparação etc. Dunga convocou um atleta que há 4 meses não jogava uma partida oficial (Ronaldinho) e que estava longe de sua forma física ideal. Queimou outro cartucho para a vaga de jogadores acima de 23 anos com Thiago Silva, muito bom zagueiro, mas inexperiente para tal. E por fim, na insistência em contar com Robinho, jogador incapaz de acrescentar muito à equipe e que estava sem motivação para a competição. Pra piorar, seu substituto não foi outro jogador da função, e sim um volante, Ramires.
Diversos clubes nacionais ficaram desfalcados de importantes atletas, praticamente em vão. Se for para não haver planejamento, para jogar a oportunidade de ganhar um Ouro Olímpico à sorte, que se leve atletas ainda não profissionais. Garotos com gana de vencer e crescer na carreira, que vestiriam a camisa de sua seleção com orgulho. Seria melhor para os clubes. Seria melhor para esses atletas. E para a CBF também, pois os resultados provavelmente seriam os mesmos, ou seja, fracasso, mas as cobranças seriam menores.
08.18.08
Efeito gangorra

Existe uma lenda urbana no Rio Grande do Sul que fala sobre uma suposta gangorra entre os 2 grandes clubes do Estado. Gangorra que faz com que raras vezes ambos estejam no topo. Na década de 70, o Internacional dominava o futebol do Sul e conquistou 3 títulos nacionais. Na década de 80 o jogo virou, com o Grêmio campeão Brasileiro, da Libertadores e do Mundial. No começo dos anos 90, o Grêmio viveu seu período mais negro com a primeira queda pra segunda divisão. Curiosamente, no ano seguinte, em que disputava a segundona, o Internacional venceu a Copa do Brasil.
Durante o restante da década de 90 e o começo dos anos 2000 o Brasil acompanhou o renascimento Gremista, sob o comando de Felipão (e posteriormente uma Copa do Brasil vencida por Evaristo de Macedo e outra por Tite), enquanto o Inter tropeçava em problemas técnicos, financeiros e admnistrativos. Em meados dos anos 2000, mais precisamente 2004, o tricolor voltou ao inferno da segunda divisão. Quando tentava se reerguer, após ter conseguido o retorno à elite do futebol nacional, viu seu maior rival erguer a Taça Libertadores e o Mundial de Clubes.
Nesse 2008 o Inter fez grandes investimentos, trouxe jogadores de alto nível, mas quem vem surpreendendo é o Grêmio, líder absoluto do certame, com um time desacreditado até boa parte do campeonato. E o Inter segue dececpionando sua torcida. Não se sabe até quando isso vai durar. Talvez a gangorra. Talvez ninguém explique, pois esse é um dos lados mais fascinantes do futebol.
08.14.08
Copa Sul-Americana

A Copa Sul-Americana tinha tudo para dar certo. Sempre tem times tradicionais do continente participando, oferece prêmios satisfatórios e é transmitida para o mundo todo. Porém, não vem dando certo. A maioria dos clubes participantes, principalmente os maiores, a deixam em segundo plano, valorizando mais seus campeonatos nacionais.
Um dos principais motivos para isso deve-se à péssima organização da tabela de jogos. Os confrontos entre times do mesmo país logo no início do torneio tira o charme da competição. Vejamos o caso dos times brasileiros, que após se enfrentarem, pegam em rodadas iniciais os times argentinos. Esses confrontos que são os mais aguardados, deviam ocorrer apenas na etapa final da competição.
Outro fator desmotivante é a falta de objetivos para os clubes. Apenas visibilidade e um pouco de dinheiro não é o suficiente para atrair muita atenção. A Conmebol precisa pensar em algo mais satisfatório, como uma vaga na Libertadores do ano seguinte, ou uma competição de pré-temporada envolvendo os finalistas da Sul-Americana com os da Copa da Uefa, por exemplo.
E esses pensamentos precisam vir logo, para que mudem-se alguns pontos, antes que a competição vá a falência. Pois não é normal um clássico entre Vasco x Palmeiras com menos de 1000 (isso mesmo, mil) pessoas no estádio. Ou um Gre-Nal com 28 mil espectadores. Potencial, há. Basta desenvolvê-lo.
08.13.08
O lado humano dos craques..

Há cerca de 2 ou 3 meses, o Fluminense vivia dias de grande euforia. Os reforços de peso trazidos pelo clube em parceria com a Unimed tinham formado um grande time, que tinha passado com superioridade pelos multi-campeões São Paulo e Boca Juniors. Estava na final da Libertadores contra a menos expressiva LDU. Era franco favorito. O Campeonato Brasileiro recém iniciava, e a desconfortável colocação da equipe na tabela era notoriamente momentânea (principalmente segundo as declarações de seu treinador à época, Renato Gaúcho) e nada abalaria o sono do tricolor das Laranjeiras.
A Final da Libertadores passou, o esperado título não veio. Mas o que na verdade veio foi um período negro. Alguns jogadores saíram, seja por transferência ou pela ocasião das Olímpiadas, e os resultados positivos não aconteceram. Nem o cargo do treinador Renato Gaúcho, que gozava de grande prestígio no clube, foi capaz de suportar. Situação parecida aconteceu certa vez com o Grêmio. Em 2003, ano do seu Centenário, criou-se grande expectativa em torno da Libertadores. Quando o time foi eliminado precocemente da competição internacional, entrou em crise, que quase resultou em rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O clube escapou na última rodada.
Por serem pessoas públicas e idolatrados, os jogadores de futebol são vistos por muitos como “super-heróis”. Seres fora da realidade do nosso cotidiano. Mas a bem da verdade é que são pessoas como qualquer um de nós, com anseios e frustrações. Também passam por momentos difíceis, mesmo para nós sendo difícil de compreender isso, tendo em vista toda ostentação que sua profissão garante. É necessário um bom trabalho psicológico, trazendo os pés novamente ao chão, criando uma nova meta para o clube e seus jogadores. Senão, o futuro pode reservar ainda mais escuridão.
08.10.08
Derramando sangue

O Grêmio até o início do campeonato era mero coadjuvante, principalmente por vir de 2 eliminações precoces, no Campeonato Gaúcho e na Copa do Brasil, para times menos tradicionais. Era um grupo desacreditado, com jogadores desconhecidos, outros já desprestigiados e alguns garotos da base. O treinador era Celso Roth, tido como fracassado pelos clubes onde passou.
Alguns meses e rodadas se passaram, e o Grêmio fez o que parecia impossível. Terminou o primeiro turno na liderança, 5 pontos a frente do segundo lugar. E mais: tem o melhor ataque, melhor defesa, melhor desempenho fora de casa, melhor aproveitamento da história dos pontos corridos, entre outros “melhores”.
Os jogadores vestiram a camisa e vêm jogando ao melhor estilo Grêmio: se doando ao máximo. “Suando sangue”, como contam as lendas do tricolor dos pampas. É necessário tempo para analisar quanto sangue a equipe ainda tem para escorrer. Até onde vai essa dedicação e essa entrega ininterrupta pelo resultado.
Tem tudo para ir longe, pois além de uma equipe acertada, trouxe bons reforços que vieram como estrelas e sequer conseguem lugar no time, como Souza e Ortemann, que ainda muito tem a agregar. Mas só o tempo dirá.
08.06.08
Patriotismo.. ou não!
Desde pequeno, nunca simpatizei com a Seleção Brasileira de Futebol, a qual carinhosamente chamo de “Time da CBF”. Em Copas do Mundo, Copas América e afins, torcia pela Argentina e depois Uruguai, as celestes. Esse sentimento de antipatia com a CBF só cresceu (e ainda cresce, se for possível) após seus mandos e desmandos, sua forma política de agir, seu desinteresse pelos clubes nacionais, os quais devia tratar como filhos.
Por me desligar desse sentimentalismo com as federações de futebol, pude observar sob outra ótica os torcedores de ocasião. Aqueles que geralmente não assistem futebol, não gostam, só conhecem 2 ou 3 jogadores de seus clubes e sequer lembram que o Brasil existe, a não ser, claro, quando o Time da CBF está em campo.
Basta os Robinhos da vida vestirem a camisa amarela que o povo bate forte no peito, o “orgulho de ser brasileiro”. Ou melhor, “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Pena que esse sentimento dure apenas 90 minutos (ou até menos, se o desempenho em campo não for o esperado). Em Copas do Mundo ele até aumenta um pouco, e sobe para maravilhosas, hum.. 2 semanas!?
Sempre me acusaram de ser contra a própria pátria. Bem, se pintar a cara de verde-e-amarelo só quando o Time da CBF entra em campo, então sim, sou anti-pátria. Mas por um ponto de vista ponderado e sensato, creio que quem realmente representa a pátria são os clubes de futebol. Não apenas os de ponta, mas até aquele cujo campo é de chão batido, onde crianças com as chuteiras furadas alimentam o sonho do sucesso no futebol.
Clubes que deviam ser amparados pela CBF, a qual recebe fortunas de patrocínio, mas vê seu futebol cada vez mais sucateado. Clubes fazendo malabarismos para revelar jogadores, e quando os revela, perde precocemente por leis estapafúrdias e falta de organização. Sem falar quando a própria CBF desfalca os clubes (que pagam os salários e a formação dos atletas) durante campeonatos importantes para que eles joguem em amistosos e torneios “caça-niquel” contra seleções inexpressivas.
Meu clube. Minha bandeira.
08.01.08
Te sigo a toda parte!
Ontem tive o prazer de assistir ao vivo um belo espetáculo de futebol: Coritiba 0×1 Grêmio. No cantar dos galos, nos primeiros sinais da claridade matutina, enquanto dirigia de volta para casa, uma música no mp3 player do carro me chamou a atenção: Infinita Highway, dos Engenheiros do Hawaii.
Me coloquei no lugar do sujeito da canção. Assim como eu, milhares de pessoas todas as semanas se deslocam e efetivamente “correm os riscos das Highways” pelo país afora, para acompanhar o clube do coração. O futebol é um espetáculo fascinante, mas é difícil achar motivos plausíveis que justifiquem tamanha paixão. Só quem sente, sabe.
Como 22 pessoas, correndo atrás de um objeto esférico, pode aflorar tão forte sentimento? Bem, há razões que a própria razão desconhece.


