10.01.08
E o trem encarrilhou

O Internacional tem, provavelmente, o melhor elenco do país. Possui vários jogadores de alto nível capaz de desequilibrar qualquer partida. Porém, o time vinha de um fraco primeiro turno, com indícios de crise interna, vestiário segregado, maus resultados. Parece que as peças finalmente se encaixaram e a engrenagem começou a funcionar.
Se jogadores como Alex, D’alessandro e Nilmar jogarem o que sabem, fica muito difícil alguma outra equipe nacional segurar o colorado. Depois de 3 vitórias consecutivas nem mesmo o maior rival, Grêmio, foi capaz de parar o Inter. Mais que isso: saiu goleado de campo e abandonou a liderança da competição (agora é do Palmeiras).
Com 11 rodadas pela frentes e 33 pontos a disputar, o Internacional volta a ser um fortíssimo candidado a beliscar uma das vagas para a Libertadores e quem sabe, até o título nacional. Se continuar nessa fase e com a constante irregularidade dos times da ponta de cima da tabela, tudo é possível.
09.15.08
Embolou!

Após o término de mais uma rodada do Brasileirão 2008, a diferença do líder Grêmio para seus rivais diminuiu. Especialmente para o Palmeiras, que ao vencer o Cruzeiro em Minas Gerais, pulou para a vice-liderança, a apenas 3 pontos do líder.
O campeonato promete ser emocionante e empolgante nessas pouco mais de 10 rodadas restantes. O título ainda está em aberto. Apesar da briga parecer ficar entre Grêmio e Palmeiras, a falta de regularidade de todas as equipes da ponta da tabela não permite afirmar quem deverá ser o campeão. Até as vagas para a Libertadores não estão garantidas a ninguém, nem mesmo ao líder, devido ao grande número de equipes separadas por poucos pontos.
O Palmeiras que era forte em seus domínios, parece ter invertido a situação. Venceu Atlético-PR e Cruzeiro fora de casa e levou um retumbante 3 a 0 do Sport em seus domínios. O Grêmio, imbatível em casa até então, levou 2 a 1 ao natural do Goiás, que surpreendentemente tem a melhor campanha do returno. Botafogo que vinha de 11 rodadas invicto, perdeu do Internacional, que vem tropeçando, no Rio de Janeiro.
Alguns desses resultados poderiam quebrar uma casa de apostas. Mas são apenas mais alguns ingredientes que apimentam essa equilibradíssima disputa.
08.14.08
Copa Sul-Americana

A Copa Sul-Americana tinha tudo para dar certo. Sempre tem times tradicionais do continente participando, oferece prêmios satisfatórios e é transmitida para o mundo todo. Porém, não vem dando certo. A maioria dos clubes participantes, principalmente os maiores, a deixam em segundo plano, valorizando mais seus campeonatos nacionais.
Um dos principais motivos para isso deve-se à péssima organização da tabela de jogos. Os confrontos entre times do mesmo país logo no início do torneio tira o charme da competição. Vejamos o caso dos times brasileiros, que após se enfrentarem, pegam em rodadas iniciais os times argentinos. Esses confrontos que são os mais aguardados, deviam ocorrer apenas na etapa final da competição.
Outro fator desmotivante é a falta de objetivos para os clubes. Apenas visibilidade e um pouco de dinheiro não é o suficiente para atrair muita atenção. A Conmebol precisa pensar em algo mais satisfatório, como uma vaga na Libertadores do ano seguinte, ou uma competição de pré-temporada envolvendo os finalistas da Sul-Americana com os da Copa da Uefa, por exemplo.
E esses pensamentos precisam vir logo, para que mudem-se alguns pontos, antes que a competição vá a falência. Pois não é normal um clássico entre Vasco x Palmeiras com menos de 1000 (isso mesmo, mil) pessoas no estádio. Ou um Gre-Nal com 28 mil espectadores. Potencial, há. Basta desenvolvê-lo.
08.13.08
O lado humano dos craques..

Há cerca de 2 ou 3 meses, o Fluminense vivia dias de grande euforia. Os reforços de peso trazidos pelo clube em parceria com a Unimed tinham formado um grande time, que tinha passado com superioridade pelos multi-campeões São Paulo e Boca Juniors. Estava na final da Libertadores contra a menos expressiva LDU. Era franco favorito. O Campeonato Brasileiro recém iniciava, e a desconfortável colocação da equipe na tabela era notoriamente momentânea (principalmente segundo as declarações de seu treinador à época, Renato Gaúcho) e nada abalaria o sono do tricolor das Laranjeiras.
A Final da Libertadores passou, o esperado título não veio. Mas o que na verdade veio foi um período negro. Alguns jogadores saíram, seja por transferência ou pela ocasião das Olímpiadas, e os resultados positivos não aconteceram. Nem o cargo do treinador Renato Gaúcho, que gozava de grande prestígio no clube, foi capaz de suportar. Situação parecida aconteceu certa vez com o Grêmio. Em 2003, ano do seu Centenário, criou-se grande expectativa em torno da Libertadores. Quando o time foi eliminado precocemente da competição internacional, entrou em crise, que quase resultou em rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O clube escapou na última rodada.
Por serem pessoas públicas e idolatrados, os jogadores de futebol são vistos por muitos como “super-heróis”. Seres fora da realidade do nosso cotidiano. Mas a bem da verdade é que são pessoas como qualquer um de nós, com anseios e frustrações. Também passam por momentos difíceis, mesmo para nós sendo difícil de compreender isso, tendo em vista toda ostentação que sua profissão garante. É necessário um bom trabalho psicológico, trazendo os pés novamente ao chão, criando uma nova meta para o clube e seus jogadores. Senão, o futuro pode reservar ainda mais escuridão.
07.03.08
Soberba..

Existem jogadores e treinadores que tornaram-se folclóricos por suas declarações e seus deboches. Renato Gaúcho faz parte dessa trupe. Desde o começo da carreira de jogador chamava atenção pela língua solta (e claro que pelo futebol de primeiro nível também). Mas existem horas e horas para isso. A tentativa de motivar seus jogadores e de inflamar a torcida soou mais como soberba e arrogância do que confiança propriamente dita.
E posso dizer que o resultado não foi o esperado, principalmente se olharmos para a torcida do Fluminense. Apática. Mesmo com um time conseguindo um épico 3×1, resultado que levava à prorrogação, e pressionando o time adversários, atletas em campo tinham que pedir o apoio, que mesmo assim não acontecia. E essa apatia passou para o campo. Após seu terceiro gol, o Fluminense nada fez, e voltou a ser pressionado pela LDU, como acontecera nos 12 minutos iniciais da partida.
Mesmo assim não houve mais gol, e a partida foi para os pênaltis. O Fluminense tinha tudo nas mãos, pois seus batedores eram jogadores de alta classe, como Thiago Neves, Washington, Dodô, Conca e Cicero. Mas não foi o que se viu. Jogadores com cara assustada e se deixando levar por provocações. Resultado disso: título para a LDU, claro. E o som do Maracanã foi o mesmo de grande parte da partida: silêncio.
Ninguém vence de véspera, ao menos não no futebol. A soberba não leva a nada. Até ontem as 21h30 o Fluminense estava a um passo de ir para o Mundial de clubes e de disputar a Libertadores 2009. Mas agora? Poucos minutos depois? É o pior time do campeonato Brasileiro, na lanterna isolada. Um dia se está no topo, mas no instante seguinte, podes estar no fundo do poço. Por isso, arrogancia não!